O que editar fotos com IA faz mesmo bem
Tirar pessoas e objetos. É a aplicação mais madura. Um estranho ao fundo de uma fotografia da praia, um caixote do lixo, um poste no meio da paisagem: desaparecem sem deixar rasto na maioria dos casos.
Substituir e alargar fundos. Ganhar céu por cima da cabeça numa fotografia demasiado apertada, ou pôr fundo branco numa peça de roupa que vais vender. O alargamento de enquadramento é hoje convincente quando o fundo é simples.
Recuperar fotografias antigas. Digitalizações de fotografias de família com ruído e arranhões melhoram muito. Atenção a um pormenor: os modelos reconstroem as caras, e a cara reconstruída da tua avó pode não ser exatamente a cara dela.
Trabalho repetitivo em lote. Cortar cinquenta fotografias no mesmo formato, tirar fundos, uniformizar cor. Aborrecido para uma pessoa, trivial para um modelo.
O que continua a correr mal
- Caras que tu conheces. Qualquer regeneração de rosto muda micro proporções, e o teu cérebro deteta isso em pessoas que conhece, mesmo sem saber dizer o quê.
- Mãos e dedos, sobretudo quando se cruzam ou seguram alguma coisa.
- Texto dentro da imagem. Uma placa de rua, o nome de um restaurante em Lisboa, a etiqueta de uma garrafa: sai quase certo e por isso mesmo estranho.
- Estruturas com linhas. Azulejos, gradeamentos, caixilhos de janela, calçada portuguesa. As linhas partem-se no sítio da reparação.
- Precisão fina. Se queres o rosto meio ponto mais claro e nada mais, escreve-lo mil vezes e continua a mexer noutras coisas. Uma slider faz isso em dois segundos.
As ferramentas, por ordem de utilidade
- Limpar, na app Fotos da Apple. Gratuito nos iPhones que o suportam, já está no telemóvel, e para tirar pessoas do fundo resolve a maioria dos casos sem instalar nada. Ver o guia por modelo de iPhone.
- Gemini com o Nano Banana. O modelo de edição de imagem da Google, hoje o mais consistente a manter a mesma pessoa entre edições. Editas a conversar.
- ChatGPT. Muito bom a perceber pedidos complicados em português e a fazer várias coisas de uma vez. Menos fiável a devolver a fotografia na resolução original.
- Photoroom. Fundos e produto, com resultados limpos e rápidos.
- Lightroom, com remoção generativa. Para quem já edita lá dentro e quer tudo num sítio só.
- Remini. Fotografias antigas e desfocadas. Exagera nas caras, por isso usa com moderação.
Como se escreve um pedido que resulta à primeira
A diferença entre um bom e um mau resultado está quase toda no pedido. Quatro regras que funcionam em qualquer das ferramentas.
Diz o que fica igual, não só o que muda. Uma frase como mantém a cara, a pose e as cores exatamente como estão, tira apenas o homem de camisola azul ao fundo, dá muito melhor resultado do que tira o homem.
Um pedido de cada vez. Tirar uma pessoa e mudar o céu no mesmo pedido dá quase sempre uma imagem pior nas duas coisas.
Descreve o que está lá, não o que sentes. Substitui o fundo por uma parede branca lisa funciona. Torna a fotografia mais elegante não funciona.
Corrige por passos. Se ficou quase bem, aponta a única coisa que falta em vez de recomeçar do zero.
Qualidade, resolução e o que sai estragado sem tu veres
Muitos serviços devolvem a imagem numa resolução menor do que a original, ou já recomprimida. Isso não se vê no telemóvel e vê-se muito bem impresso ou num carrossel.
Hábitos que evitam surpresas: guarda sempre a fotografia original antes de a passar por qualquer modelo, compara os dois ficheiros no computador ao tamanho real, e desconfia de zonas suspeitosamente lisas, que são o sinal típico de reconstrução.
Se a fotografia é importante, como as do casamento, faz a edição generativa apenas no que é mesmo necessário e trata a luz e a cor à mão. O resultado é mais fiável e reversível.
Quando não vale a pena usar IA nenhuma
Para exposição, contraste, temperatura e corte, uma app normal é mais rápida e dá exatamente o que pediste. Para retoque de pele, um pincel de cura ponto a ponto continua a ser melhor do que um modelo que decide sozinho suavizar tudo.
E há a questão do que é honesto mostrar. Tirar um caixote do lixo é uma coisa. Pôr numa fotografia de grupo alguém que não estava lá é outra. A regra que usamos é simples: se tiveres de explicar a edição a quem estava presente, provavelmente não a devias ter feito.
O ShutterAI trabalha do outro lado do problema: o Clean Up tira pessoas e objetos com um toque, o Glow retoca a pele mantendo as sardas e a textura, e o Vault guarda o original para tudo continuar reversível. Já está na App Store, gratuito para descarregar. O Clean Up está incluído no plano gratuito, mas assenta no Apple Intelligence, por isso pede um iPhone 15 Pro ou mais recente; o resto da app pede iOS 26.
Perguntas frequentes
Qual é a melhor forma de editar fotos com IA?
Para tirar pessoas e objetos, o Limpar da app Fotos da Apple ou o Gemini com o Nano Banana. Para fundos, o Photoroom. Para luz e cor, uma app normal como o Snapseed continua a ser mais rápida e mais precisa.
A edição com IA estraga a qualidade da fotografia?
Muitas vezes sim, porque o serviço devolve a imagem já recomprimida ou numa resolução mais baixa. Guarda sempre o original e compara os dois ficheiros ao tamanho real antes de apagar seja o que for.
Porque é que a IA estraga as caras nas minhas fotografias?
Porque reconstrói o rosto em vez de o corrigir, e qualquer alteração mínima das proporções é detetada por quem conhece a pessoa. Evita edições generativas em cima de caras conhecidas.
Consigo editar fotografias com IA de graça?
Consegues. O Limpar da app Fotos é gratuito nos iPhones que o suportam, e o Gemini e o ChatGPT têm camadas gratuitas com limites diários. Confirma sempre a resolução do ficheiro que te devolvem.
A IA consegue melhorar uma fotografia antiga de família?
Consegue tirar ruído e arranhões com bons resultados, mas reconstrói as caras a partir de padrões, e o rosto reconstruído pode não ser fiel à pessoa. Guarda sempre a digitalização original.